domingo, 26 de dezembro de 2021

Um Conto de Natal.Pedro C. da Silva.23/12/2021

 

UM CONTO DE NATAL

Pedro C. da Silva.           

Nestes dias de vésperas de Natal, em que se vive sob a autoridade neoliberal fascistóide, me acode ao pensamento a sensatez do povo português da segunda década deste século. Talvez também porque as cicatrizes que deixaram a ditadura autocrática conservadora pré-capitalista, na qual o povo lusitano se quedou por cerca de meio século e dela se libertou por iniciativa e liderança de militares adeptos do comunismo, tenham lhe acicatado a razão e o motivado a concertar pelo voto a base para a “geringonça”, acordo parlamentar que alçou o Partido Socialista ao governo da República.  Pelo voto parlamentar que ensejou a “geringonça” socialista, o povo português consertou o erro que cometera há alguns pouquíssimos anos ao eleger um parlamento que entregara o poder governamental aos neoliberais furibundos e ágeis no malefício. Agora, pois, lhe seriam restaurados os direitos econômicos e sociais que lhes haviam sido violentados.

Este conto é de Natal e, por isto, vou falar de Natal. E como não reportar a melhor recordação de vésperas de Natal que eu tenho?

Foi em Portugal e começou em Viseu, com a abertura das festas natalinas. O povo, liberto então do neoliberalismo autoritário do estado mínimo pela formação de um parlamento de liderança socialista, comemorava nos dias de vésperas da data máxima cristã a restauração do que lhe fora arrancado pela austeridade econômica e fiscal, tais como dois meses a mais de salários anuais, o mínimo para a vivência digna dos beneficiários dos sistemas previdenciários, a revalorização dos vencimentos do funcionalismo público. Foram fechados cerca de vinte por cento dos estabelecimentos comerciais, principalmente restaurantes, logo no início desta política de estado mínimo neoliberal.  Aí ressurgira a mendicância, disfarçada como pedido de auxílio para atender urgências, principalmente em Lisboa, depois no Porto. Eu estava lá e vi.

Estava em Portugal durante três das quatro últimas semanas outonais de ano anterior, como fiz por anos seguidos, e assisti a movimentos populares vigorosos contra aquela política governamental neoliberal, submissa às exigências da troika - banco central europeu, FMI e UE. Entre as manifestações de protesto a que mais havia me atentado fora a interdição das duas mãos de trânsito na Ponte Vinte e Cinco de Abril, que permite o trânsito rodoviário entre Lisboa e Almada sobre o Rio Tejo, por dezenas de autocarros (ônibus) de diversos concelhos (municípios) compreendidos na região da capital lusitana. Impressionou-me não só a massa de veículos mas também o inteligente trabalho dos seus condutores que, para o bom sucesso da sua movimentação mantinham a velocidade dos veículos qualquer coisa acima do zero, apenas movimentando-os para evitarem a multa por paralisação sobre ponte. Os veteranos de guerra também se movimentaram na altura (ocasião) contra a austeridade econômica e fiscal implantada, que estava a levar Portugal cada vez mais para a derrocada não só econômica – a dívida pública sempre a subir, o PIB estagnado – como principalmente social, decorrente da rápida elevação dos níveis de desemprego, tal qual não se presenciava há muito.

Nesse contexto, em um início de noite fui a uma taberna típica (restaurante popular) nos arredores de Queluz, com o propósito de saborear um caldo verde, e lá fiz conhecimento com um veterano da Marinha de Guerra portuguesa, que adentrara ao estabelecimento para beber algo. Como na tasca (bar de restaurante popular) as três mesas existentes estavam ocupadas e ele bebia em pé, apoiado no balcão, o convidei a se sentar à mesa que eu ocupava; ao que ele se recusou sob a desculpa de que sempre bebia ali naquela postura, e invocou o testemunho da rapariga (moçoila) que atendia a todos ali. Ele não se sentou, serviu-se como alegou ser do seu hábito e mantivemos uma longa conversa, entrecortada de quando em vez por poses para fotografias daquele encontro. Ele vestia fatiota militar, com quepe azul marinho de lã, medalhas na lapela do casaco igualmente azul marinho de lã. Vivamente emocionado, falou que viera da manifestação dos veteranos de guerra em Lisboa contra a política governamental neoliberal obediente à troika. Ao cabo, diante da minha entusiasmada solidariedade aos que em Portugal penavam por causa daquela nefasta política, me entregou de presente o seu broche de veterano de guerra, retirado da lapela do seu casaco militar.

Alguns outros portugueses do povo, ante as amarguras econômicas porque passavam, compartilharam comigo também manifestações de posicionamento resoluto contrário àquela política da troika aplicada a Portugal, à qual reagiram os governos da Grécia e da Itália, endividados tal como Portugal, e que se saíram melhor logo.  Em Barcelos, a comerciante de uma pequena loja, a se reclamar dessa política, disse a mim que seria ótimo se o ex-Presidente Lula fosse para lá e governasse o país.  

Essa a causa intrínseca daquela extrínseca manifestação memorável do povo a comemorar a abertura do Natal em Viseu sob os novos ventos socialistas, sem menoscabo à edilidade local que enfeitou a cidade como merecia em face do renovado tempo de prosperidade que se iniciava para o país e para o povo português. Protegido do forte frio por vestimentas adequadas, a populaçao não arredava o pé da feira natalina, do rocio (praça principal da cidade), da Rua Direita, dos outros espaços centrais disponíveis para tal, a comemorar desde aqueles dias de vésperas de Natal o início da sua restauração econômica e social sob o governo de liderança socialista.

 Presenciei a mesma comemoração da população no Porto, em Póvoa de Varzim, em Lisboa e outras cidades portuguesas, com suas luzes e árvores natalinas maravilhosas. Afora as comemorações em Viseu, me tocou muito a preparação natalina em Seia, com pinheiros natalinos de médio porte deitados nas calçadas para venda aos passantes pedonais (transeuntes). E o povo, lá em Seia, na Serra da Estrela, mesmo com bastante frio, a vender, a comprar, a passear, a sorrir, a conversar, feliz por voltar a viver um tempo melhor, sob governo de liderança socialista.

Maria Farinha, de 23 para 25 de dezembro de 2.021.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

SOBRE A VENEZUELA, OS EUA E O PETRÓLEO.

 SOBRE A VENEZUELA, OS EUA E O PETRÓLEO

(PRIMEIRA PARTE)

No dia 31 de março de 2021, li no site do ESTADÃO notícia de entrevista exclusiva que lhe dera o general da reserva C. A. Santos Cruz, ex-Ministro da Secretaria Geral da Presidência no (des)governo atual.

Diz o ESTADÃO nesta matéria, entre outras menções que, “rompido com o presidente que ajudou a eleger” ... O general afirma que hoje não repetiria mais o voto em Bolsonaro nem em um hipotético segundo turno entre o presidente e sua nêmesis, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”

Pela pena do ESTADÃO naquela noticiada entrevista, “O general acusa Bolsonaro de ter desrespeitado os comandantes, as funções e as próprias instituições”... e que “Santos Cruz diz ainda que ninguém pretende seguir o exemplo da Venezuela no Brasil.”

De tudo contido na matéria em foco, o que se me apresentou mais relevante é a referência à Venezuela, que nada tem com o imbróglio em que o Brasil se meteu a partir do golpe parlamentar que retirou Dilma Roussef do exercício da Presidência da República, em 2016, e que se aprofundou com a injusta e ilegal prisão do ex-presidente Lula da Silva, com a adrede eleição do ex-tenente J. B. para aquele cargo, em 2018. 

Tenho notado que, desde as campanhas de rua iniciadoras da movimentação tática dos extremistas neoliberais para o assalto ao Poder, em 2013, quando alguma personalidade, mesmo de menor capacidade política, quer dissentir de ações desse agrupamento político sem querer causar-lhe oportunidade de acusação de “esquerdismo”, ou sendo aparentemente de “centro-esquerda” quer se achegar àquele agrupamento, desanda a vociferar contra a Venezuela, esconjurando-a porque o seu regime seria ditatorial.

Parece-me que tais exclamações, quase sempre despropositadas ou inoportunas, subsumem disfarçada demonstração de lealdade canina aos interesses do império econômico norte-americano, e propositada (ou não) ignorância da história política e econômica da Venezuela, bem assim dos fatos atuais relativos à guerra econômica e às ameaças de invasão encetadas pelos sucessivos governos dos EUA contra o país venezuelano, desde quando Hugo Chávez assumiu o poder venezuelano em 1999,  e às reiteradas eleições populares e universais realizadas naquele país caribenho, com a maior freqüência dentre todos os das Américas. 

Nos dias mais intensos da pandemia provocada pela COVID 19, deu-se-me de reler, “Que sabe você sobre petróleo?”, da autoria de Gondin da Fonseca, obra a qual li a primeira vez há quase sessenta anos. Trata-se de um dos maiores livros não ficcionais já escritos no Brasil, que foi fundamental, entre outros, para a minha própria formação política. 

Esse livro de Gondim da Fonseca contém esclarecimentos históricos que os néscios políticos, e mesmo os entreguistas ignorantes (que os há em grande número), precisam ter em mente quando falam sobre a Venezuela.  

Para início de referência à virtual colônia do império norte-americano que era a Venezuela, pauperizada ao extremo e sufocada em suas mais legítimas aspirações de independência econômica, até antes da subida de H. Chávez à presidência venezuelana, que se anote o que está escrito no citado “Que sabe você sobre petróleo?” (4.ª edição, 1955):

“Na Venezuela domina a Standard. Todos os seus campos petrolíferos, - os de Maracaibo, Falcón, La Rosa, Ambrosio, La Paz, Rio Palmar, Concepción, etc., são controlados por esse bruto consórcio estadunidense. A renda do país provém dele. Logo, a política do país gira também em torno dele. Quando surgiu na Venezuela um presidente nacionalista, Romulo Gallegos, que aconteceu? Foi deposto sumariamente pela Standard; e o adido militar dos Estados Unidos, - conforme declaração de Gallegos, - dirigiu a revolução “salvadora”. (Págs. 84/5)

O mesmo tipo  de golpe perpetrado contra Romulo Gallegos, em 24 de novembro de 1948, foi intentado contra Hugo Chávez mais de cinqüenta depois, em 11 de abril de 2002, pelos novos representantes da alta burguesia venezuelana, civis e militares, em concerto com os poderosos condutores dos interesses econômicos do império norte-americano, como rememorou o <sítio brasildefato.com.br>:

“ Neste 11 de abril de 2020, completam 18 anos da primeira tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente venezuelano Hugo Rafael Chávez Frías. O ex-comandante foi sequestrado por militares desertores, que colocaram em prática um plano arquitetado por setores tradicionais das classes mais abastadas do país, vinculadas à indústria  do petróleo e à Casa Branca.

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Rapidamente os governos dos Estados Unidos, Espanha, Equador, Colômbia e Nicarágua reconheceram a junta golpista cívico-militar.

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Numa operação coordenada entre o chavismo organizado, o povo venezuelano e as forças armadas, o vice-presidente constitucional Diosdado Cabello conseguiu entrar novamente no Palácio de MIraflores, assumindo as funções de chefe de Estado até que em 13 de abril Hugo Chávez voltou à presidência.”

O que motivou esses golpes? O realizado contra Romulo Gallegos, o intentado contra Hugo Chávez e as outras tentativas depois, inclusive contra Nicolas Maduro, o sucessor democrático de Hugo Chávez e atual mandatário na Venezuela?

Antes tendo advertido que “A Venezuela é, de fato uma colônia ianque” (pág. 88), esclarece meridianamente Gondim da Fonseca, na indicada obra, em passagens que aqui transcrevo literalmente:

Outrora, na Venezuela, mandava a Shell. Hoje oitenta por cento do petróleo desse país é da Standard. Quando a Inglaterra gemia e chorava às portas da derrota, com Hitler nos calcanhares, vocês se lembram que pediu soda aos Estados Unidos e os Estados Unidos lhe entregaram 50 destroyers? ... 

... Os destroyers foram secretamente permutados por campos petrolíferos. ...

No dia 23 de outubro de 1943 comunicavam as agências telegráficas ianques à imprensa da América do Sul que “a administração de petróleo para o consumo de guerra, de Washington, decidira ativar a produção de petróleo da Venezuela”. A fim de explicar semelhante patifaria (um país dispondo da produção de outro) acrescentava o despacho: “oitenta por cento dos recursos petrolíferos venezuelanos pertencem a firmas ianques e apenas vinte por cento ainda se encontram sob o controle de empresas britânicas”. (págs. 173/4)

... Nos Estados Unidos (lembrem-se! Lembrem-se!) todos os presidentes da República são presidentes legais da Standard. Não de direito, mas de fato. Na Inglaterra, todos os primeiros-ministros são presidentes legais da Shell. Não de direito, mas de fato. Os governos da Inglaterra e dos Estados Unidos tudo farão para conquistar as áreas petrolíferas do Brasil. “(pág. 200)

  Neste passo, é de se anotar fato público e notório que referenda a assertiva de Gondim da Fonseca, qual seja que Condolezza Rice, ex-Secretária de Estado dos EUA, no período de 2005 a 2009 da presidência de George W. Bush, antes de assumir esse cargo fora presidente de direito e de fato da Exxon, a atual denominação comercial da Standard Oil of New Jersey.

De volta aos fatos relativos à história exclusiva da Venezuela, remeto-me à nota (1) na CONVERSA PREAMBULAR COM O LEITOR BENIGNO (PREFÁCIO DA 3.ª EDIÇÃO) inserida na quarta edição da esclarecedora obra de G. da Fonseca aqui reportada:

“Na Venezuela, conforme adiante se dirá, o petróleo de exportação não é refinado nos portos de embarque, mas nos Estados Unidos e nas ilhas de Aruba e Curaçáu. O capital monopolista inglês e ianque não confia na passividade do explorado ilota venezuelano. E por isto não constrói ali refinarias. Pobre, miserável país! A 10 de maio de 1946, o “Correio da Manhã ”órgão entreguista carioca transmitia em sua secção de “Economia e Finanças” esta lamentável notícia do exterior: “A Venezuela continua a importar grandes quantidades de gêneros alimentícios . Vejamos os dados globais referentes a compras externas de milho, trigo, açúcar, legumes e outros produtos: 1950, 108 milhões de dólares; 1951, 111 milhões; 1952, 107 milhões; e 1953, 109 milhões”. Podemos informar que tais compras aumentaram em 1954 para 115 milhões. A área da Venezuela ultrapassa um milhão de quilômetros quadrados e a sua população não chega a 5.500.000 habitantes. Importando como importa (300.000 dólares por dia de milho), legumes, etc.) conclui-se que ali não existe qualquer sombra de agricultura organizada. Todas as atividades do povo convergem para o petróleo, sob o chicote da Standard e da Shell.”                               

(Que sabe você sobre petróleo?, págs. 44/5) 


* Este artigo continuará em breve com a publicação da sua segunda parte.




quinta-feira, 25 de março de 2021

Sobre o início de cumprimento de prisão condenatória sem trânsito em julgado da sentença.

        Indignado pela sórdida campanha midiática, capitaneada pelos maiores órgãos da imprensa e do jornalismo televisivo nacionais, pela aprovação parlamentar de alteração na legislação processual penal  para introduzir norma injurídica de início de cumprimento de pena de prisão com a condenação do acusado tão somete em segunda instância, sem trânsito em julgado da sentença condenatória, dirigi em 17 de novembro de 2020 uma mensagem aos meus amigos, preferencialmente os advogados, a qual  transcrevo a seguir, tal como a encaminhei; por isso que peço escusas pela linguagem coloquial, descuidada.       

           "Desculpem-me a crueza das palavras. Só é a favor do cumprimento de pena condenatória sem trânsito em julgado da respectiva sentença quem é ignorante em Direito ou tem interesse de má fé nessa causa. E isso inclui os ministros judiciais e juízes. 

           Esse meu posicionamento não é político; é estritamente jurídico e no interesse público da sociedade brasileira, que conta com quase metade da população carcerária sem julgamento condenatório definitivo. 

           Fato esse que trás danos irreparáveis para o Poder Público pelas despesas inerentes com a manutenção da parcela carcerária que, ao final, será inocentada; danos irreparáveis à própria sociedade, que supostamente quer-se proteger, pela universidade do crime em que se transformaram os presídios para o alunado formado pelos jovens de primeira incriminação e acusados de crimes leves como furto e receptação, de grande acontecimento nesses caso até por falta da devida assistência judicial e mal funcionamento do aparelhamento policial judicial.

          E danos materiais, familiares e de ordem psicoestrutural às pessoas desses encarcerados sem condenação definitiva trânsita em julgado, que em boa parte veem a ser posteriormente inocentados.

          Eu mesmo tive que agir junto à Polícia e ao Judiciário, com urgência, de improviso e não sendo criminalista, para que duas prisões, uma fundada em sentença produzida em processo kafkiano ilegal e outra em denúncia caluniosa, não se alongassem e viessem a prejudicar as pobres vítimas dessa fábrica de monstros que é o sistema brasileiro supostamente protetor da sociedade e de recuperação de pessoas criminosas, constituído pelo tripé Polícia, Justiça, Presídio. 

          O cumprimento da pena sem trânsito em julgado da sentença condenatória em nada alivia ou favorece a sociedade nem o Estado, como dela o sistema processual penal não necessita rigorosamente, pois já são previstas prisões que acautelam a ordem jurídica.

           Existem a prisão em flagrante, que dispensa mandado judicial; a prisão temporária, para assegurar colheita de provas contra o indiciado; e a prisão preventiva, para proteger o inquérito, o processo, ou a ordem pública ou econômica. 

           O que é uma aberração jurídica é a pessoa iniciar cumprimento de pena por condenação ainda sujeita a ser anulada. 

           Se a pessoa, no curso do devido processo legal, vier a se demonstrar perigosa para a ordem pública ou econômica, que se lhe decrete a prisão preventiva. Quem quer o contrário são os verdadeiros corruptores das instituições do Estado e da sociedade brasileiros."

quarta-feira, 24 de março de 2021

A História e o tempo.

 



O site <gazetadopovo.com.br>, pertencente ao Grupo Paranaense de Comunicação, em 19/08/2016, sob o título PF conclui inquérito da Operação Triplo X e identifica dona de um dos triplex do Guarujá, com o subtítulo “Nelci Warken foi indiciada como real proprietária do triplex 163-B, vizinho ao imóvel que pode pertencer ao ex-presidente Lula”, no último tópico do seu conteúdo, Tríplex ligado a Lula (sic), “vazou” para o público:


O condomínio Solaris possui dois tríplex com o mesmo número. A PF já conseguiu identificar Nelci como proprietária do apartamento 163B, mas ainda há a suspeita de que o real proprietário do apartamento 163-A – vizinho ao de Nelci – possa ser do ex-presidente Lula.

O Ministério Público de São Paulo chegou a conduzir uma investigação sobre o caso.
Os promotores paulistas afirmaram ter concluído que Lula é o dono do tríplex 163-A. No entanto, na escritura do imóvel, o tríplex está em nome da construtora OAS. A denúncia do MP afirma que a OAS, investigada na Operação Lava Jato, reservou o apartamento para o ex-presidente e pagou mais de R$ 700 mil pela reforma do imóvel. Lula aparece em fotos visitando o apartamento.

Os promotores de São Paulo chegaram a pedir a prisão preventiva de Lula e mais seis pessoas ligadas ao ex-presidente, mas a juíza de São Paulo remeteu o caso ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, que conduz as investigações da Operação Lava Jato.

Até agora, a investigação sobre o tríplex 163-A ainda não se tornou pública. Há um procedimento em andamento, mas ainda está em segredo de Justiça.

Os advogados de Lula negam que o ex-presidente seja o proprietário do imóvel e alegam que a 13ª Vara não tem competência para conduzir o caso, já que Moro “não aponta um único elemento concreto que possa vincular as investigações sobre a propriedade de um sítio em Atibaia (SP) ou de um apartamento no Guarujá (SP) a supostos desvios ocorridos no âmbito da Petrobras, e, consequentemente, à Operação Lava Jato”.

                  Os néscios lavajatistas, para não os cognominar corruptos morais, exultaram com o início da campanha midiática de destruição da dignidade do cidadão Luís Inácio da Silva, o Lula.


O vazamento de partes de investigação que ...”ainda não se tornou pública” (“… há suspeita de que o real proprietário do apartamento 163-A – vizinho ao de Nelci – possa ser do ex-presidente Lula”; “Os promotores paulistas afirmaram ter concluído que Lula é o dono do tríplex 163-A”; “Lula aparece em fotos visitando o apartamento”) revelam ostensiva e iniludivelmente o desiderato colimado por essa campanha da grande mídia nacional, encabeçada pela nefanda Globo, qual seja a repercussão deletéria perante o público geral da moralidade pessoal e da representatividade política do ex presidente como poderoso elemento adjunto à ímproba persecução criminal que se lhe fez, como bem delineiam Rafael Valim, Walesca e Cristiano Zanin Martins no livro de suas autorias Lawfare: Uma introdução.


O tempo passou e agora, quatro anos e sete meses depois daquela exultação pelo início daquela ímproba persecução criminal, eis que o Supremo Tribunal Federal, pela pena do relator designado para os procedimentos da apelidada “Operação Lava Jato” (em 08/03/21), reconhece e decreta a incompetência da 13.ª Vara da Justiça Federal em Curitiba para processar e julgar o ex-presidente Luís Inácio da Silva, precisamente nos termos arrazoados pela sua defesa e reportados ao final daquela malsinada matéria jornalística, ao modo de EM TEMPO:


Os advogados de Lulaalegam que a 13.ª Vara não tem competência para conduzir o caso, já que Moro “não aponta um único elemento concreto que possa vincular as investigações sobre a propriedade de um sítio em Atibaia (SP) ou de um apartamento no Guarujá (SP) a supostos desvios ocorridos no âmbito da Petrobras, e, consequentemente, à Operação Lava Jato”.


Neste outro tempo, a verdade veio a prevalecer. E a sua inteireza, neste caso de ímproba persecução criminal, se impôs judicialmente ainda no dia 21 deste mesmo mês de março de 2021, com o julgamento pela Segunda Turma do Suprema Tribunal Federal do Habeas Corpus impetrado pela defesa do ex-presidente em 2018, devolvendo-lhe a presunção constitucional de inocência, reconhecendo-lhe o injusto opróbrio que vinha a sofrer, ao julgar a suspeição da conduta processual ilegal e indigna com que se houve o seu julgador primário.


Anuladas todas as provas “fabricadas” que lhe imputavam falsamente o ilícito penal de corrupção passiva por recebimento de uma propriedade da qual jamais sequer teve a mera detenção factual ou ficta, inclusive disponibilizada para fins de transações reais pelo terceiro seu verdadeiro senhor e proprietário, vê-se afinal suplantada a mentira adrede concertada e proclamada por um tempo pela verdade lídima dos fatos e da razão aclarada meridianamente perante e pela Justiça.


Agora, não se vê mais alvoroço jubiloso por aqueles néscios de má conduta, mas percebe-se os seus ranger de dentes e suas mal disfarçadas imprecações, ante o insucesso definitivo da sua infamante e impatriótica ação contra o mais legítimo representante das massas trabalhadoras do País.


Na vivência deste momento de afirmação da verdade e da justiça, duas lembranças me ocorreram, de uma obra artística e de dois fatos históricos, os quais proporcionaram contrariamente, de uma parte, júbilo fugaz aos fanáticos pela lei da força e da discriminação, e de outra orgulho eternizado nas mentes dos admiradores da justiça e da paz.


A obra artística lembrada trata-se de uma escultura em mármore, com cerca de três metros de altura, que vi exposta no Victoria and Albert Museum, em Londres, de cuja autoria não recordo. São duas figuras de forma humana em luta entre si, em que a representativa da verdade subjuga a representativa da mentira e puxa-lhe a língua bipartida.


Jamais esqueci dessa maravilhosa obra de arte e, recordando-a agora neste momento em que o Supremo Tribunal Federal fez a subjugação da maior mentira judicial de que se tem memória à simples verdade dos fatos e da razão, jamais deverei esquecê-la, pela força da sua reprsentatividade nesta quadra histórica brasileira.


O primeiro dos fatos históricos que me ocorreu neste momento é a aproximação, no dia dois de outubro de 19941, das forças da Wermacht às cercanias de Moscou, o que fez com que os fascistas de todo o mundo se rejubilassem como se a história houvesse terminado e acreditassem que o império nazista reinaria por mil anos, como prometera o “fuhrer”.


O segundo fato histórico agora recordado é a rendição das tropas da Wermacht em Berlim ao comando do Exército soviético ali estacionado, no dia dois de maio de 1945, pondo de fato fim à Segunda Guerra Mundial, ou como dizem os russos à Grande Guerra Patriótica, e para o mais puro gáudio dos povos eurasianos, a selar uma paz duradoura.


Entre o início da mais vil persecução criminal já vista no Brasil, lastreada unicamente em mentiras articuladas por meios diversos, e a afirmação pelo Supremo Tribunal Federal da verdade afinal, decorreram-se pouco mais de quatro anos e meio.


O decurso do tempo entre a não conclusiva invasão das forças Wermacht à cidade de Moscou e a derrocada definitiva daquela máquina de guerra e do próprio infame regime nazista, dentro da cidadela de Berlim, foi de três anos e quase meio.


Conclui-se que a história, a mais ou a menos tempo, sempre consagra ao final a verdade e a justiça ante a mentira e a vilania.


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domingo, 27 de dezembro de 2020

 

A verdade sobre a Venezuela

Terça-feira, 10 de dezembro de 2019

12:28

Nestas últimas semanas, a grande mídia nacional, apelidada por Paulo Henrique Amorim de PIG (Partudo da Imprensa Golpista), tem dado todo azo às diatribes dos nefandos presidentes  D. Trump e J. Bolsonaro, direcionadas à uma suposta invasão militar do território venezuelano fazer valer a democracia ao modo do Tio Sam, de certo como feito na Líbia, no Iraque et alii.  

Como sempre, com a propaganda fascista e preparatória de agressões militares, a verdade é a primeira a morrer.

Os arautos dessa alvissareira – para o Império –  movimentação omitem, contudo, que todos os ditadores venezuelanos que antecederam a revolução bolivariana eram títeres do poderio econômico norte-americano.

Também ocultam que antes de Chaves outro presidente democrático da Venezuela, Rómulo Gallegos, foi derrubado por golpe militar de origem e patrocínio norte-americano, como agora se tenta fazer, com apoio explícito do governo do Brasil nessa empreitada ignóbil, a não se importar com o honroso histórico de mais de cem anos de pacifismo brasileiro.

Ainda não se diz que Chávez assumiu o governo em meio ao caos de golpes e contragolpes dos asseclas dos estadunidenses, uns contra os outros, e pôs ordem e paz no território que virara uma zona de anarquia sem limites.

Também não se diz que quase não existe área agropastoril produtiva na Venezuela, porque todo o território que seria próprio para isso foi tomado pela exploração petrolífera; o que fez com que aquele país sempre importasse os gêneros alimentícios necessários para abastecer a sua população.

Igualmente não se diz que quem procedeu desse modo insano de exploração extensiva de petróleo foram as grandes petroleiras privadas, maiormente norte-americanas, depois estatizadas pela PDVSA.

Mente-se deslavadamente quando se diz que petróleo norte-americano abastece, hoje, a Venezuela, quando é precisamente o contrário, com os EUA sendo abastecido em cerca de 20% para o seu consumo com petróleo venezuelano; inclusive a PDVSA sendo proprietária, por meio de subsidiárias, de rede de abastecimento de combustíveis no território norte-americano.

Ainda se oculta que a razão da crise econômica venezuelana, além da queda abrupta e violenta no preço internacional do barril de petróleo (inicialmente, cerca de 70% e, atualmente, em cerca de 55%), é o bloqueio das contas internacionais da Venezuela pelos EUA; a ameaça que o império faz ao comércio internacional de represália econômica a quem comercializar com a Venezuela e até embargos de transações comerciais costumeiramente realizadas há tempos.

Pessoalmente, quando estive em Lisboa, no final de 2017,  tomei ciência através da mídia portuguesa de boicote que exportadores portugueses faziam, por pressão estadunidense, ao embarque de produtos, já pagos, destinados às festas natalinas venezuelanas; o que gerou um desabastecimento específico na Venezuela, inclusive atingindo os emigrantes lusos, que constituem uma grande colônia lá. Daí que se gerou uma pequena crise entre os governos da Venezuela e de Portugal.

Penso que isso, embora quase nada do que se tem por verdadeiro, é bastante para que se veja as grandes aleivosias difundidas incessantemente pelos mais poderosos meios do jornalismo nacional em tentativa de preparação midiática como meio de justificação de injustificável agressão ao povo venezuelano, mediante invasão militar do território soberano da República Bolivariana da Venezuela.

 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE, FALÁCIA NO BRASIL

IMPRENSA LIVRE E INDEPENDENTE, FALÁCIA NO BRASIL


O jornal goianiense OPÇÃO publicou no dia 23/06/2019 artigo do jornalista Euler de França BELÉM, intitulado "Papel de editor é abrir espaço para concorrentes divergentes e não patrocinar espírito de seita". 

Pelo que explicita o articulista, em sendo verdadeira,  a sua exposição demonstraria que o jornalismo ali praticado se aproximaria, ao menos, do ideal de imprensa livre e independente, como conceituado pelos sábios teóricos, e proprietários, dos meios jornalísticos nacionais. 

Lá está escrito que "O Jornal Opção quer informar e contribuir para a formação de seus leitores, mas não se interessa por “fazer cabeças”. Por isso, vai continuar publicando textos, internos, de seus repórteres, e externos, de colaboradores, divergentes — de centro, de direita, de esquerda. Seja o que for."

Preparatoriamente à exposição de prática de liberdade de imprensa por sua editoria, o jornalista deu a conhecer o motivo condutor para tal, qual seja lamuriou-se de patrulhamento ideológico ostensivo ao Jornal Opção por "dois tipos de leitores - alguns inclusive intelectualizados -... Uns queriam "puxá-lo para a direita e outros para a esquerda."

Em discordância da opinião ali esposada pelo jornalista do Opção, entendo que a divergência ostensiva - acertada ou equivocada - de leitores ao posicionamento eventual ou seguido do jornal que, eles considerem política ou eticamente equivocado, não pode jamais ser entendido como "patrulhamento ideológico", de direita ou de esquerda. Trata-se tal só da liberdade de expressão pública, inerente a toda pessoa, todo cidadão. 

Penso que esse tipo de lamúria explica-se pelo hábito criado pelo lamurioso no exercício do próprio ofício do jornalismo, a usar, talvez com largueza extremada, a incontestável liberdade de expressão como se direito exclusivo fosse da sua profissão, sem se aperceber que esse é um direito universal.

No entanto, por somente conhecer a existência do Opção agora, devo dizer que não me é possível fazer qualquer juízo sobre o posicionamento político ou ético do jornal nem da sua editoria em particular. 

Colho, entrementes, a oportunidade para reafirmar meu antigo pensamento de que não há jornalismo isento nem imprensa livre, como se tem por conceito nos países de economia liberal, mormente os da periferia mundial. Trata-se de sofisma.

Toda opinião, inclusa primordialmente a jornalística, tem conteúdo subjetivo e, ipso facto, trás implicitamente a defesa de interesses determinados, por mais inindistinguíveis a se ocultarem.

Também a empresa jornalística, por sua natureza comercial, dependente financeiramente de patrocínio de anunciantes, por consequência tem suas atividades objetivas sujeitas aos interesses particulares dos seus patrocinadores.

 Assim, não se pode falar em imprensa livre enquanto sua editoração ocultamente for peça de engrenagem de interesses empresariais.

A verdadeira imprensa livre e democrática seria aquela expressada pelo conjunto dos veículos jornalísticos, possivelmente diferentes e divergentes em suas opiniões, cada qual realmente independente para assumir e defender os interesses que representam com legitimidade, identificadamente, abertamente, publicamente. Sejam esses interesses de classe, de estamento, de credo, de profissão, et alii.

Para assim serem, os veículos jornalísticos, no interesse da possibilidade de se ter realmente uma imprensa livre e democrática, não deveriam ser constituídos como empresas, mas sim apenas como instituições civis, seja fundação ou associação, porta vozes das diversas vertentes sociais, econômicas, políticas, filosóficas e religiosas.  
P.C.S.

COMENTÁRIO EXTRAÍDO DO BLOG GGN, PUBLICADO EM 22/07/2015

COMENTÁRIO EXTRAÍDO DO BLOG GGN, PUBLICADO EM 22/07/2015.

Republica-se aqui comentário publicado originalmente no blog GGN, em 22/07/2015 - portanto, há quatro anos, mas já em meio à guerra estabelecida pelo conserto geral das forças políticas e econômicas mais elitistas e entreguistas nacionais contra o governo dos trabalhadores e a parte da sociedade mais progressista -  em face da relevância das verdades e considerações consequentes nele descortinadas para a compreensão efetiva e eficaz da atuação do complexo midiático jornalístico dominante no País sobre o atual rumo histórico por que passam toda a sociedade e as instituições brasileiras, objetos da aplicação determinada, por dois governos sucessivos, de políticas sociais, econômicas, de relações internacionais, de segurança pública e de defesa do estado de cariz desastrosamente retrógrado, anti-nacional e anti-popular.
Outras postagens neste blog já abordaram esse tema. Voltaremos a ele em outras publicações, ou republicações. 
Boa leitura!

A interminável novela entre o PT e a velha mídia


Fiz este pequeno apanhado Histórico dessa relação tão conturba entre a velha mídia oligopólica capitaneada pela Rede Globo e o PT de Dilma e Lula no Governo Federal e posto aqui. 



Entender a velha mídia nesse duelo interminável com o PT é entender os caminhos possíveis do Brasil no futuro. E os caminhos traçados contra a possível candidatura Lula – três anos e meio antes da Eleição de 2018.




A interminável novela entre PT X a velha mídia.     2018 está longe.


Hoje o importante é ter consciência do papel de destaque da velha mídia na formação da opinião pública brasileira.
Até antes das jornadas de junho de 2013 existia uma situação de equilíbrio entre as opiniões públicas possíveis. A opinião pública pró-Governo e a midiática duelavam e o Governo Federal detinha um patamar de popularidade capaz de neutralizar o partidarismo midiático e sua narrativa anti-petista.
Quem estiver com a memória em dia sabe que o Governo Federal e o PT até as jornadas de junho de 2013 faziam pesquisas diárias (os famosos “trackins”) para saber da popularidade e aprovação da Presidenta e do Governo dela. Havia a diária comemoração do fato dos bons e ótimos chegarem ao patamar da tranquilidade de 60% ou mais. O patamar negativo ficava em torno de 20%.
Naquele tempo se acreditava que não era preciso uma Lei de Médios, porque mesmo com todo o partidarismo oposicionista e a transmissão ininterrupta do Julgamento do Mensalão o Governo Federal e seus aliados tinham aprovação alta e a prova da minha afirmação é: a base aliada em 2012 teve quase 80% dos votos nas eleições municipais.
A Presidenta da ANJ (Associação Nacional de Jornais) havia dito dois anos antes que a Imprensa brasileira agia como um partido político pela fragilidade das oposições naquele tempo, isto era 2010. Lei de Médios só traria dor de cabeça, mexer com a Rede Globo & Cia. para quê? Se não rende votos, pensou o Presidente Lula. Após veio a máxima da Presidenta Dilma: o controle remoto!
Era o tempo das vacas gordas. O Mensalão não havia atingido o eleitor, a velha mídia não tinha a seu favor uma situação capaz de destruir a reputação do Governo Federal, sua base aliada e do PT. As realizações concretas suplantavam o alarmismo da velha mídia, que se desenhava como a oposição sem voto, porque não disputava Eleição.
O PT e o Governo Federal se sentiram seguros em não mexer com o oligopólio midiático, porque nesse jogo que é o que importa: PT X Velha Mídia, tinha dado PT por 3 vezes seguidas, mesmo com toda a força oposicionista do oligopólio midiático capitaneado pela Rede Globo. O PT acreditou que é só utilizar-se dos comerciais/propagandas nas revistas, jornais, TV e Rádio que se teria o contraponto ideal.
Então, se a velha mídia escondia sobre as obras inauguradas pelo Governo Federal elas apareciam nos comerciais da TV como, por exemplo, são os casos do navio petroleiro João Cândido, da inauguração de ponte incrível feita em Manaus sobre o Rio Negro, etc.
Nenhuma ação governamental se fez no sentido de aproveitar a popularidade e aprovação do Governo para mexer no vespeiro, que é o oposicionismo desenfreado e sem limites do verdadeiro partido de oposição, que o ex-deputado Federal do PT da Bahia Fernando Ferro apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista) e a blogosfera viralizou. A velha mídia continuava a narrativa quase solitária do Brasil para os brasileiros.
Vieram, então, em 2013, as jornadas de junho e os 20 centavos. Surgia uma insatisfação social para além da inclusão social via consumo. Começou-se a se questionar se havia terminado o ciclo de inclusão dos brasileiros via consumo num pacto entre a burguesia e a classe trabalhadora proletária, pacto iniciado no primeiro mandato do ex-presidente Lula.
Quem se lembra dessa época sabe que num primeiro momento a velha mídia ficou contrária aos manifestantes do MPL (Movimento do Passe Livre) e os seus 20 centavos. Eram baderneiros segundo o Arnaldo Jabor. Viraram em 1 semana, idealistas e o próprio Jabor passou a defende-los. Ali se fez uma primeira inversão da curva ascendente da popularidade do Governo Petista.
Até novela se deixou de transmitir para se mostrar manifestações dos jovens do MPL e jovens cooptados posteriormente, cooptados pela velha mídia, nas grandes cidades do País; manifestações editadas nos seus propósitos, que aos poucos transformaram os 20 centavos em um embate contra a corrupção e tendo como culpado central único: o Governo Federal. Era a nossa Primavera Árabe!
Os Black Blocks e a turma da Sininho apareceram para dar um tempero para as manifestações bem ao gosto de uma narrativa binária: jovens esquerdistas eram radicais. Enquanto, jovens idealistas eram os cooptados da velha mídia e a narrativa da corrupção.
Jovens “idealistas” de classes média e média-alta tradicionais, preferencialmente, anti-petistas de carteirinha, o protótipo dos jovens manifestantes do impeachment da Dilma em março e abril de 2015 e que o Jornalista Luciano Martins Costa apelidou de forma bem sucinta: os “midiotas”.
Nas jornadas de junho de 2013 se conseguiu diminuir a popularidade de Dilma e a aprovação do Governo Federal. Todo tipo de indignação de uma juventude sem uma consciência política apurada, muito mais idealista do que consciente de quem era o “grande inimigo” daquela juventude, foi televisionada e glamourizada e por dias e dias se construiu a primeira narrativa de que a população não estava satisfeita com o Governo Federal, Governo que semanas antes tinha aprovação alta.
O Governo Federal não tinha como se defender, para além, dos microfones do PIG, afinal esse Partido da Imprensa Golpista dominava em quase todo o Brasil e em todos os tipos de meios de informação a narrativa do País. Os lares brasileiros eram, ainda são, bem sabemos, viralizados pela notícia de que jovens brasileiros estavam cansados de tanta corrupção e desesperançados com seus futuros e que a juventude estava revoltada em uníssono contra o Governo Federal. Ah! Faltam Hospitais e Escolas! E os gastos da Copa! O não vai ter Copa viralizou. A PEC 137 apareceu nas passeatas, se tornou abaixo-assinado virtual dizendo que iria se tirar Poder de investigação do Ministério Público e o Congresso não a aprovou, teve apenas 9 votos favoráveis.
A velha mídia mostrou sua força e conseguia sua primeira vitória contra o PT. Não foi a vitória por nocaute, foi apenas por pontos e podemos dizer que os Juízes foram caseiros.
2014 chegou e a partida entre PT X velha mídia se intensificou. Já não havia mais os “trackins diários” e os índices do Governo Dilma não lhe davam uma vantagem segura. Era uma bolsa de apostas pau a pau.
A velha mídia ou o PIG, como queiram, queria porque queria tirar o PT do Poder em outubro de 2014.
Surge como uma luva a Lava-Jato. Feita de encomenda para a vitória de Aécio Neves o candidato do PIG travestido da legenda que pode competir de verdade numa Eleição: o PSDB. Aécio era o bom-moço com pinta de galã, o novo Salvador da Pátria.
Tudo o que se falava em 2014 pré-Eleição tinha como foco a Lava-Jato e a “corrupção na Petrobrás” e, a partir, das “delações premiadas” de corruptos confessos vazadas para o PIG e que por 24 horas diárias incriminavam de corrupção o PT e seus correligionários se tentava associar cada delação vazada ilegalmente e sem apuração devida à candidatura da situação.
A regulação econômica da Mídia aparece na campanha Eleitoral de Dilma. A ousadia da proposta tem seu preço cobrado.
3 dias antes da Eleição vem a capa da Veja: Dilma e Lula sabiam de tudo! Era a última cartada. A vitória se pensava favas contadas.
Criou-se da Lava-Jato um ódio ao PT, à Dilma e ao Lula nas classes média e média alta incurável.
Mas, Aécio Neves com quase toda mídia do País ao seu lado e o Judiciário aliado e idolatrado de Curitiba pelos anti-petistas perdeu para a Presidenta Dilma.
Na comemoração da vitória de Dilma e do PT, já em seu discurso primeiro ouve-se: – o povo não é bobo, fora Rede Globo! A velha mídia ouviu o grito dos petistas: vindo do fundo d´alma e sentiu o baque, e se descontrolou ainda mais. Não adviria uma regulação econômica da Mídia de jeito nenhum, deve ter sido a ordem que partiu do PIG.
O PT e Dilma venceram a máquina oposicionista capitaneada pela Rede Globo, máquina que detém mais de 80% das possibilidades de informação que o brasileiro comum pode obter sobre o Brasil e o Mundo via meios de comunicação: TV, Rádio, Revista, Jornal, Internet e etc. Dilma vence novamente o candidato do PIG e quase sem nenhuma mídia a favor dela. Uma vitória inacreditável!
As classes médias e médias altas tradicionais, principalmente do Sudeste e Sul ficam inconformadas com a derrota e não aceitam a vitória da Presidenta Dilma. Na mesma semana da vitória parcelas extremistas do eleitorado de Aécio Neves já saem às ruas para protestar o resultado eleitoral, a extrema-direita mostra o seu rosto e Deputado sai de arma na cintura para protestar. Lobão vira o herói do anti-petismo.
O Governo Federal venceu e se calou. Mesmo que quisesse falar à Nação estaria restrito à rede nacional de TV e Rádio, mas não quis se habilitar a utilizar deste recurso. Praticamente, só a voz “zonza da derrota e raivosa” da velha mídia se fez ecoar no Brasil inteiro.
Inconformado com a derrota o PIG patrocinou, sem nenhuma cerimônia, tentativas de modificar o resultado das urnas e fez de tudo para desqualificar a vitória e atrapalhar a governabilidade da recém-eleita, desde apoiar a fala e ações golpistas do candidato perdedor que pedia até recontagem dos votos, incentivo à desaprovação das contas de campanha da Presidenta reeleita, passando pelo apoio quase irrestrito da Eleição de um Deputado com mais de 20 processos na Justiça para Presidente da Câmara dos Deputados e sabido achacador, até televisionar apoiadores do Golpe contra o resultado das urnas em manifestações na Avenida Paulista, onde até defensores da volta de uma Ditadura Militar ao Poder eram chamados de democratas, convivendo lado a lado de gente que se manifestou segurando faixas com símbolos da suástica nazista e de gente que tirou fotos com ex-militares do Regime de 64. O tema impeachment virou a ordem do dia para boa parte dos eleitores de Aécio. Era, segundo a narrativa global, manifestações de patriotas e democráticos. Uma confraternização de gente honesta e pacífica. Imaginam o pacifismo de grupos pedindo Ditadura Militar e empunhando a suástica nazista?
O Governo Federal, neste período, se viu em meio à necessidade de um plano econômico conservador e que prevê corte de gastos públicos para alcançar um superávit primário, o que deixou descontente, não só o eleitorado da oposição, mas parcela significativa de seu próprio eleitorado, que sonhava com uma guinada do Governo Federal para a Esquerda. E, hoje, parte do seu próprio eleitorado cativo de esquerda, diz que foi traído, por causa do Plano Econômico visto como conservador e neoliberal.
Um Congresso Conservador não aprovaria um plano diferente do proposto, certamente, assim, pensou o Governo Federal. E se fez o Plano Levy sem dialogar com o eleitorado da Presidenta.
E as popularidades de Dilma, do Governo Federal e do PT desabaram, segundo pesquisas, a despeito de serem pouco confiáveis os números absolutos pelo exagero da casa de apenas 10% de aprovação, pois, são pesquisas associadas/parceiras da velha mídia, a mesma que é 24 horas do dia oposição.
E aqui se pode afirmar:
A falta de preocupação em fomentar canais para o contraponto das informações veiculadas na velha mídia cobra o seu descuido em 2015. A Judith Brito e a oposição midiática tem seu auge.
O jogo se alterou. O PIG ou como queiram a velha mídia obtém mais força que o PT, apesar de não ter todo o crédito que pensam que tem perante a opinião pública. Ficou mais difícil para a situação disputar a opinião pública sem mídia.
E neste quadro atual a velha mídia se aproveita do seu monopólio da informação e deste enfraquecimento significativo do PT, do Governo Federal e da Presidenta Dilma para evitar que volte ao Poder o ex-presidente Lula e quem sabe, seu sonho, ela consiga finalmente emplacar: eleger seu candidato em 2018. Lula tornou-se o alvo principal a ser abatido pelo PIG para concretizar seu sonho.
Anda valendo tudo nessa busca. De tudo acusam Lula, sem provas, diga-se de passagem.
Porém, fica claro, não temos como evitar a situação de macarthismo contra o ex-presidente, porque a velha mídia hoje consegue ser mais capaz de interferir na opinião pública e no Judiciário do que o Governo Federal é capaz, através de ações concretas, de conseguir aprovação e apoio para além do noticiário de crise e caos que os meios de comunicação hegemônicos veiculam 24 horas por dia.
Imagina a dificuldade de recuperação da aprovação do Governo Federal e da popularidade da Presidenta Dilma sem mídia, sem coragem de enfrentar a velha mídia e sem condições de realizar uma Lei de Médios (ao menos a regulação econômica) numa situação de PIB negativo, frise-se que é um fenômeno mundial e escamoteado do noticiário daqui, e de inflação acima da meta estipulada pelo Copom. Imaginaram?
A velha mídia está dando as cartas, atualmente, tem mais força e menos pudor a cada dia.
Saberemos mais para frente se o Governo Federal age certo em não bater de frente com este oligopólio da informação e de se calar quase sempre. E se poderão recuperar sua popularidade: a Presidenta Dilma, e sua aprovação: o Governo Federal.
Saberemos ainda se não anda dando, a velha mídia, o passo maior que a perna e perdendo o bonde da História. 2018 está longe.
O PIG pode perder de novo? E se decretar verídico o ditado: “quem ri por último ri melhor”?
Qual o custo para o Brasil desta interminável novela entre PT X velha mídia? Sobreviveremos com poucos percalços sociais e econômicos até 2018?
Fiquemos atentos aos próximos capítulos desta interminável novela entre PT X velha mídia, mas sem pressa de querer o resultado para hoje, porque o jogo é imprevisível.
Afinal, tanto já se decretou o fim do PT, e ele venceu em 2014 novamente, e agora, afastada as forças para qualquer golpe, pelo que tudo indica, vide o Manifesto dos 9 governadores do Nordeste, ficará a Presidenta Dilma até 2018 no Poder, completando, o PT, 16 anos à frente do Governo Federal.
E o PT, certamente, pode novamente virar este jogo e colocar o pêndulo novamente para a Esquerda, pois em nada mudou a fala de Judith Brito, a oposição continua fragilizada e o verdadeiro partido de oposição ainda é o PIG.
Esta é a novela mais prolongada da História, não é verdade?