quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A BICICLETA DESMONTADA (In God we trust)


O que fizeram as forças da economia hegemônica mundial com a sociedade brasileira, usando as poderosas ferramentas de dominação da opinião pública?
Em linguagem metafórica, observador atento do cenário poderá concluir que desmontaram, peça por peça, a bicicleta sócioeconômica que fora montada com pertinácia na última década e quase meia e que, depois de subir íngreme ladeira inicial, se iniciava a rodar em terreno mais plano.
O desmonte da bicicleta com apuro, determinação inabalável e ardil meticuloso iniciou-se com as manifestações de ilusória massa na cidade mais populosa e politicamente de classe média burguesa mais inculta nacionalmente.
Questionou-se, inclusive de modo violento sem antecedente, o aumento de alguns centavos de real no preço de passagens de coletivos urbanos, administrado por governo estadual de centro-direita, de oposição ao governo federal, de centro-esquerda. Um problema localizadíssimo, pela geografia e pela solução.
Ali, em 2013, deu-se a partida a um projeto de fascistização de massa - “comme il faut”. Com a cobertura nacional dirigida de propósito erradamente contra o governo federal, o acontecimento surpreendentemente (ao início, até para Arnaldo Jabor, comentarista humorístico da Rede Globo de Televisão) deu-se início à aplicação da primeira ferramenta para a desaceleração do avanço democrático e inclusivo social procedido com aquela bicicleta.
Prosseguiu-se com o uso, eficazmente alarmante, enfurecido e continuado da ferramenta da “mass media” para a fanatização – à extrema direita – da classe média burguesia, quando esta era então visivelmente favorecida pelas políticas global, setoriais e de inclusão social adotadas pelos seguidos governos objeto daquela desconstrução política. Na ocasião se alcançava índice de quase pleno emprego, jamais ocorrido, e o consumo se dava exuberante. A inflação residual decorria mais da incapacidade industrial – tecnológica e financeira - de atender bem à demanda e o incumprimento em dia das obrigações pela população do crédito concedido decorriam mais dos escorchantes juros cobrados pela banca ao consumidor e ao pequeno empresariado, como se faz até o presente.
Evidência meridiana do propósito de fascistização de parte da classe média burguesa, a partir daquela agitação de rua, surgida, procedida e multiplicada por um tempo, foi o entranhamento nela das ações provocativas e destruidoras patrimonialmente de “blackblocs” de origens desconhecidas. Notável também é que dessa agitação de rua das que se lhe seguiram não participaram efetivamente as classes mais populares nem agrupamentos comprometidos com elas, bem que tais agitações se circunscreviam a protestar contra a gestão governamental administrativa de problemas setoriais – educação, saúde e segurança, porque ausentes fortes causas econômicas, sociais ou políticas. Indício, presentemente incontestável, da funcionalidade política para acesso ao poder de elementos comprometidos com o fascismo foi o surgimento entre as principais lideranças daquele primeiro momento de desmonte de alguém (até então plenamente desconhecido por todos), com esse discurso ideológico e que, por aquela via, ascendeu agora ao parlamento nacional com impressionante votação dada por aquele estado originador do ovo da serpente; sendo ele o próprio inseminador desse ovo, sem dúvida adrede preparado para tal.
Para a continuidade do desmonte, passou-se de imediato à utilização de outra ferramenta disponível na prateleira da oficina do diabo, qual seja intensa capacitação de agentes públicos brasileiros em eventos jus policiais nos aparelhos de inteligência mais eficientes e vigorosos de atuação global, experientes na intervenção em países de todo o quadrante mundial, como famosíssimo magistrado sempre fez público a sua formação e atualização por entidades componentes desse quadro para a sua exação funcional em procedimentos judiciais que envolvem interesses econômicos estratégicos para o Brasil.
Iniciou-se, então a judicialização da política nacional, a buscar e conseguir a criminalização da atividade política, necessária para a sua substituição pelo autoritarismo e, por conexão criminal com esta, a inviabilização econômica das grandes empresas estratégicas nacionais – públicas e privadas – de modo a eliminá-las da concorrência no mercado internacional em que atuavam com sucesso inegável – América Latina, África, alguns países do Oriente Médio - ou reduzi-las, aqui no País, a meramente serviçais dos interesses das multinacionais oligopolizadas mundialmente.
Dá-se aí, concomitantemente, a “débâcle” do preço internacional do barril do petróleo, procedido pelas manipulações na produção e comercialização do óleo pelo cartel da OPEP, capitaneadas pela Arábia Saudita, o maior produtor mundial, com a sua ARAMCO – sociedade de propriedade da família Saud, reinante absoluta no país com as principais empresas petroleiras do ocidente, a Exxon Mobil, Gulf, British Petroleum, Royal Dutch Shell, …
Essa “débâcle” premeditada levou à quebra econômica de países como a Venezuela – maior fornecedor dos EUA e terceiro maior produtor mundial – que tem na exploração do óleo sua quase exclusiva fonte de riqueza, assim como inviabilizou a continuidade do desenvolvimento econômico e da inclusão social que se operava no Brasil até então.
Estagnou-se o País, mas se conseguiu retirar uma peça essencial no desmonte da bicicleta econômica, social e política nacional, uma verdadeira pedivela. A atividade econômica paralisou quase por completo, minguaram os “royalties” pagos pela Petrobrás, que irrigam as finanças dos estados e municípios onde se dá a exploração do petróleo; a Petrobrás passou a desinvestimento, com implicação na redução de produção ou paralisação das atividades de suas empresas fornecedoras nacionais, especialmente da indústria naval (navios sonda, plataformas submarinas e navios transportadores) que ficou a ver navios (perdoe-se o trocadilho), que se havia restabelecido vigorosamente com as encomendas da estatal e que empregava um número imenso de trabalhadores, principalmente em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Parada a bicicleta que levava avante a população nacional, restou que se a desmontasse de vez agora, para que o país não mais andasse para a frente em momento seguinte, apenas voltasse atrás, para a objetivada eternização da “casa grande e senzala”, para o passado de senhores e servos da gleba; para que não mais o povo viesse a ser condutor e passageiro, a um só tempo, de um veículo ensejador de mudança contínua vívifica, que não dá ré; para que, ao invés, o povo volte a arrastar as ferramentas de exploração primária de uso, fruto e gozo das classes sociais que lhe são superiores, proporcionados pela exportação a preços vis para os países de economia desenvolvida.
Deu-se, então, o uso da ferramenta do assassinato político de todas as forças políticas democráticas no País, corrompidas ou honestas, capitalistas ou socialistas, de origem burguesa ou proletária. Há que se preparar o terreno para a passagem do veículo fascista que por ele precisa afzer o caminho para o atraso, inverso ao da bicicleta desmontada. À fanatização autoritária não convém, não é admissível, a liberalidade política. A liberalidade admissível é somente a econômica, mas cartelizada cuidadosamente, contando com a Ford e a GM, a Vokswagem e a Porsche, a Siemens e a Krupp, a Boss e a ... (a Renner e a Riachuelo que se cuidem, o Pão de Açúcar e o Bom Preço já foram devidamente cuidados).
No seguimento, para o sucesso do desmonte econômico, sócio e político objetivado por essa “razia” sobre o Brasil, era condição “sine qua non” o impedimento da presidente, eleita legitimamente em confronto direto nas urnas contra o representante eleitoral dessa “entourage” maléfica ao país. Deu-se, assim, o perfeito golpe parlamentar, muito bem executado com a colaboração prestigiosa e acovardada do supremo judiciário nacional. Deu-se o golpe sem sustentação de ordem institucional, jurídica ou ética, apenas por vontade política de uma maioria congressual de ocasião, como se não se tratasse de presidencialismo, mas sim de parlamentarismo, onde a aprovação de um voto de desconfiança é bastante para a derrubada de um gabinete governamental.
Por efeito desse golpe parlamentar, instalou-se na presidência do País, então, um dos líderes na arquitetura daquela manobra de desmonte da bicicleta nacional. Foi necessário, então, que as peças desmontadas fossem confundidas de modo a se dificultar ao extremo a sua rearrumação no bom propósito da remontagem daquele veículo importante para a retomada do caminho, pelo povo, do desenvolvimento econômico e social nacional. O agora chefe oficial da desmontagem tem cumprido bem a sua tarefa, a envidar esforços para entregar ao capital estrangeiro os pedais, a coroa e a corrente de transmissão da nossa bicicleta econômica e para tornar quase impossível o aproveitamento pelos trabalhadores nacionais do desmontado selim dos direitos trabalhistas e previdenciários.
Nessa ordem de acontecimentos, a função de oficina do desmonte passou-se para o edifício de manipulação espiritual cujos mestres há tempo colocavam seus pregos na estrada por onde rodava a bicicleta da democracia política brasileira, qual seja o fundamentalismo de exploração emocional das novas seitas evangélicas, detentoras de variados veículos de mídia importantes nacionais – onde não se incluem as tradicionais igrejas protestantes, que por largo caminhar, nos erros e nos acertos, tal a igreja católica, não se integraram a essa renovada aventura fascista. Aquelas, as novas e as novíssimas seitas, praticam desde sempre o fanatismo religioso, assim como muitos acusam a prática do islamismo em países do Oriente Próximo.
Nessas novas igrejas evangélicas apregoa-se um fundamentalismo irracional, puramente emocional, a explorar um dos piores sentimentos do ser, o medo. Daí a se multiplicarem pelo mundo afora, mesmo nos países mais desenvolvidos. É a prática da perversidade intencional na sua pior manifestação.
A conjugação desse fundamentalismo religioso ocidental com o fascismo seria inevitável, como de fato tem ocorrido aqui e alhures, seja em países subdesenvolvidos ou superdesenvolvidos. Não é por acaso que são os evangélicos fundamentalistas norte-americanos os maiores contribuintes financeiros ao estado de Israel, como incentivo ao procedimento caracteristicamente nazi de expansão territorial e submissão indigna de partes da população palestina, sob a pretensão de viabilização mais rápida possível do armagedão, do apocalipse, o dia do juízo final, no qual o Messias retornaria à terra a fim de realizar a justiça final.
Nesse compasso, um político, que há décadas se servia disfarçadamente, inclusive familiarmente, desse “cocktail” de fascismo com fundamentalismo evangélico – militar frustrado na sua carreira, mas com ímpeto a “generalizar” o País - apropriou-se do desmonte total da bicicleta a que se havia feito e veio com a pretensão de substituí-la por um tanque de guerra, para conduzir a população nacional a … onde, por onde?
A população nacional fanatizada pelo fundamentalismo religioso evangélico e pelo fascismo de soluções mirabolantes, como que chineses drogados pelo consumo de ópio estimulado pelos colonizadores britânicos, parece apoiar esse Messias.

Desmontou-se a bicicleta e confundiram-se suas peças, espalhado-as a esmo. Preocupa-me como poderá se dar a remontagem dessa bicicleta, se nem sabemos aonde está cada peça, para recolocar cada qual no lugar certo.

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