quinta-feira, 28 de abril de 2016

A VELHA ECONOMIA DA AUSTERIDADE E O DÉFICIT FISCAL

Nestes tempos de "caça à bruxa", processo macarthysta de impedimento da presidente Dilma Roussef, oportunamente caiu-me aos olhos em um artigo do economista Paul KRUGMAN, ganhador do Prêmio Nobel de Economia no ano de 2008, publicado na revista portuguesa Visão, edição de 12 de Novembro de 2015, intitulado A Sinistra Herança da Austeridade. O artigo fez-me recordar  dos maus lençóis em que se envolveu a economia de Portugal com a política, iniciada de 2010 a 2011, precisamente pelo governo de Passos, a fazer cumprir naquele país a austeridade fiscal imposta pela "troika"; o que ocasionou, só no primeiro ano dessa política, o fechamento de 20% dos restaurantes lá existentes, conforme me afirmaram, na época, comerciantes da restauração de Lisboa e do Porto. Essa política de austeridade fiscal permaneceu de mal a pior, inclusive com retiradas extensivas de direitos remuneratórios do funcionalismo público, por mais de quatro anos, até que o governo neo-liberal caiu em Novembro de 2015; substituido por um governo de coalizão à esquerda, liderado pelo Partido Socialista. A "troika" já admitiu uma revisão naquela nefasta política de austeridade, em uma tentativa de que Portugal não se transforme em uma outra Grécia, cuja dívida à banca internacional - sempre protegida pelos governos neo-liberais - é simples e absolutamente insolúvel. Na Grécia, a queda do governo cumpridor da cartilha da austeridade se deu antes que em Portugal; mas a razão foi a mesma: o caos econômico gerado por essa política fiscal. Essa política de austeridade veio se dar em toda a Europa ocidental sob o comando da "troika" - Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Euroéia, empurrando vários países para crises recessivas, com altíssimas taxas de desemprego, como a Espanha, a Itália, a França, além dos já mencionados Portugal e Grécia. Ao início desta nota, disse que o artigo de P. Krugman caiu-me aos olhos oportunamente por que essa política de austeridade fiscal foi a aplicada agora no segundo governo da presidente Dilma Roussef, sob a batuta do ilustre financista Joaquim Levy. Banqueiro ou economista ?  E essa política de austeridade, que leva à queda do consumo, à redução da produção, ao desemprego massivo, à queda da  arrecadação,  levará enfim, pelo caos que ensejou à economia do País, à queda do governo da presidente Dilma Roussef. Como disse certa vez Bill Clinton, quando presidente dos EEUU, redarguindo a alguem que lhe indagou sobre dificuldades do seu governo: "É a economia, imbecil!" A razão política do golpe é a situação econômica caótica derivada da sacrossanta austeridade fiscal.  Aproveitem a lição magistral de P. Krugman.
      A SINISTRA HERANÇA DA AUSTERIDADE 
Quando a crise económica rebentou em 2008, os decisores políticos fizeram de uma forma geral o que deviam fazer. A Reserva Federal e outros bancos centrais perceberam que o apoio ao sistema financeiro tinha prioridade sobre as noções convencionais de prudência monetária. A administração Obama e suas congéneres entenderam que, numa economia em implosão, os défices orçamentais não eram prejudiciais, antes pelo contrário. E a impressão de notas e o empréstimo de dinheiro funcionou: conseguiu-se evitar uma repetição da Grande Depressão, que parecia, na altura, demasiado possível.
Depois, começou tudo a correr mal. E as consequências da má viragem que demos parecem hoje piores do que as imaginadas pelos mais ácidos críticos do pensamento convencional.
Para quem já não se recorda (custa a crer há quanto tempo isto decorre): em 2010, mais ou menos de repente, a elite política de ambos os lados do Atlântico decidiu deixar de se preocupar com o desemprego e começar a ra!ar-se, em vez disso, com os défices orçamentais.
Esta deriva não foi motivada por provas ou.uma.análise cuidada. De facto, ia até contra as noções básicas de economia. Ainda assim, a conversa sobre os perigos do défice começou a ser uma coisa que toda a gente fazia porque toda a gente dizia e os que fugiam à norma deixavam de ser respeitados -razão pela qual comecei a chamar aos paroquianos da ortodoxia do momento VSP,Very Serious People (Pessoas Muito Sérias)
Alguns de nós tentámos em vão sublinhar o facto de que o fetiche do défice era ao mesmo tempo mal orientado e destruidor, de que não havia provas de que a dívida estatal fosse um problema para as grandes economias, enquanto era por demais evidente que o corte nas despesas numa economia deprimida aprofundaria a depressão.
E os acontecimentos  deram-nos razão. Mais de quatro anos e meio se passaram desde que Alan Simpson e Erskine Bowles avisaram o mundo para uma crise fiscal nos dois anos seguintes; os custos do dinheiro nos EUA mantêm-se em mínimos históricos. Entretanto, as políticas de austeridade que foram postas em ação de 2010 em diante tiveram exatamente os efeitos de depressão que os manuais de eco­ nomia previam; a fada da confiança não se deu ao luxo de aparecer.
Ainda assim há provas crescentes de que nós, os críticos, acabá­ mos por subestimar o quão destrutiva a deriva para a austeridade seria. Especificamente, parece agora que as políticas de austeridade não impuseram a curto prazo a perda de empregos e a diminui­ ção da produção, como também comprometeram o crescimento a longo prazo.
A ideia de que políticas que deprimam a economia no curto prazo também infligem danos duradouros é geralmente referida como histerese. É uma ideia com um pedigree impressionante : a defesa da histerese foi feita num artigo famoso, de 1986, da autoria de Olivier Blanchard, que mais tarde se tornou economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, e Lawrence Summers, que teve altos cargos nas administrações de Clinton e Obama. Mas acho que toda a gente hesitava em aplicar a ideia da Grande Recessão, com medo de parecer excessivamente alarmista.
Neste ponto, contudo, é como se a realidade gritasse histerese
..
 
Até países que parecem ter largamente recuperado da crise, como os EUA, estão bastante mais pobres do que as projeções de antes da crise sugeriam que estivessem neste momento. E um novo artigo de Sum­ mers e António Fatás, além de apoiar a conclusão de outros econo­ mistas de que a crise parece ter feito grandes estragos a longo prazo, mostra que a redução das expetativas dos países a longo prazo está fortemente ligada à quantidade de austeridade que lhes foi imposta. 
      O que isto sugere é que, quando nos virámos para a austeridade, desencadeámos efeitos verdadeiramente catastróficos, que foram muito para além da perda de empregos e rendimentos dos primeiros poucos anos. De facto, os danos a longo prazo sugeridos pelas esti­ mativas de Fatás - Sumrners são suficientemente grandes para fazer da austeridade uma política autodestruidora mesmo em termos pura­ mente fiscais: os governos que sufocaram a despesa face à depressão feriram as suas economias e consequentemente as suas receitas fiscais futuras, de tal maneira que até as suas dívidas acabarão por superar os valores que teriam tido senão houvesse cortes.
E a amarga ironia da história é que esta política catastrófica foi levada a cabo em nome de sermos responsáveis a longo prazo, de tal maneira que os que protestavam contra a viragem errada eram acusados de ter vistas curtas.
Há algumas lições óbvias desta desgraça. "Toda a gente que conta o diz" não  é, decididamente, uma boa  forma de decidir em política;  o pensamento em capelinha não pode substituir uma análise clara. Também, pedir sacrifícios (aos outros, claro) não fillmÜl.ca que se seja muito responsável.             -              -- -
Mas será que se aprende com as lições? Os anteriores problemas económicos, como a estagnação dos anos 70, levaram à reconsideração generalizada da ortodoxia económica. Mas um aspeto marcante dos últimos anos tem sido o quanto tão poucas pessoas estão dispostas a admitir terem errado acerca seja do que for. Parece demasiado possível que os VSP, as Pessoas Muito Sérias, que se alegraram com tanta política desastrosa, não aprendam nada com
a experiência. E esse facto é, à sua maneira, tão assustador quanto o seu resultado para a economia. Ili
 © 2015 The New York nmes
Paul Krugman
Economista norte-americano, vencedor do Nobelde Economia em 2008

 38        V ISÃO   12   NO V E MBR O   20 15


terça-feira, 22 de março de 2016

CARTILHA PARA PEQUENO BURGUÊS OBSERVAR ANTES DE SAIR EM MARCHA PELO GOLPE DE ESTADO (MORALIZANTE ?)

CARTILHA PARA PEQUENO BURGUÊS OBSERVAR ANTES DE SAIR EM MARCHA PELO GOLPE DE ESTADO (MORALIZANTE ?)
I – Jamais ter pedido nem aceito redução de preço nos pagamentos de compras e de prestações de obras e serviços, em troca de NÃO emissão de nota fiscal, pois isso é SONEGAÇÃO FISCAL.
II – Jamais ter recebido pagamento por serviços liberais universitários prestados à população, sem emissão do correspondente recibo para efeito fiscal, pois isso também é SONEGAÇÃO FISCAL.
III - Jamais ter pedido, recebido ou se comprometido a receber qualquer tipo de vantagem, para si ou para outrem, para praticar ou deixar de praticar ato de ofício como servidor público, pois isto é PREVARICAÇÃO.
IV – Jamais ter recebido salários, vencimentos, gratificações ou outros quaisquer tipos de vantagens funcionais, sem ter efetivamente prestado o serviço correspondente ao respectivo cargo, emprego ou função pública, pois isso são modos de PECULATO.
V - Jamais ter recebido qualquer tipo de compensação do Poder Público por motivo de perseguição política ao tempo da ditadura iniciada em 1964, quando essa situação não se verificou e tenha até colaborado intimamente com os poderes ditatoriais, pois isso ao menos é FALSIDADE IDEOLÓGICA.
VI - Jamais ter usufruído de mais de uma aposentadoria por sistemas públicos previdenciários com contagem de um mesmo tempo de serviço para a concessão delas, pois isso ao menos é LESÃO AO ERÁRIO.
VII - Jamais ter usufruído de bolsa de estudos no exterior concedida por Poder Público sem posteriormente ter contraprestado ao Poder Público os serviços correspondentes ao aperfeiçoamento feito no exterior, pois isso também é LESÃO AO ERÁRIO..
VIII - Jamais ter procedido a PÓS graduação sem antes ter concluído efetivamente curso universitário superior regular, pois isso ao menos é DESONESTIDADE INTELECTUAL.
IX - Jamais ter colaborado com vendedores, intermediários e prestadores de obras e de serviços para escorchamento de consumidores, inclusive condôminos de edifícios e conjuntos residenciais, nas compras e prestações de obras e serviços que houver administrado, pois isso é ESTELIONATO.
X - Jamais ter praticado “sacolagem” internacional, introduzindo no País, para revenda interna, produtos originados dos EEUU e do Paraguai, por exemplo, sem pagamento da devida tributação, pois isso é DESCAMINHO, quando não CONTRABANDO.
XI - Jamais ter deixado de recolher à previdência social, na qualidade de empregador, as contribuições legalmente devidas, pois isso é também SONEGAÇÃO FISCAL e o não recolhimento da parte descontada do empregado é APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA.
XII – Jamais ter praticado “dumping”, cartel, açambarcamento, divisão de mercado, superfaturamento, qualquer CRIME CONTRA A ORDEM ECONÔMICA.


Como a lei mosáica, são doze ao menos as exigências de caráter moral para que eles saiam às ruas a quererem expulsar os vendilhões do templo !

terça-feira, 29 de setembro de 2015

sábado, 1 de novembro de 2014

QUEM SÃO OS ENVOLVIDOS NO MENSALÃO PERNAMBUCANO.]

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

MENSALÃO PERNAMBUCANO: GRAMPOS DA PF REVELAM ESQUEMA MILIONÁRIO OPERANDO DURANTE ANOS DENTRO DO GOVERNO EDUARDO CAMPOS COMANDADO POR TESOUREIRO DO PSB E TUCANO

EXCLUSIVO





Grampos realizados pela Polícia Federal, com autorização da justiça, dentro das Operações “Farda Nova” e ”Zelador”, iniciadas ainda em 2007, para investigar ações do doleiro Jordão Emerenciano, com o “Jogo do Bicho” (objeto da Operação "Zebra"), acabou por flagrar a intensa atividade de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, de políticos e empresários, dentro do governo Eduardo Campos e até do que nas conversas se chamou de negócios com “petróleo”. 

Dentre os flagrados pelos grampos da Polícia Federal, destacam-se, pela desenvoltura com que operavam e direcionavam licitações e negócios de empresários em SUAPE, em troca de
comissões que chegavam a 35% do valor contratado pelas mais diversas secretarias e órgãos do Governo do Estado de Pernambuco, o ex-vereador de Jaboatão dos Guararapes, Geraldo Cisneiros, hoje um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves, em Pernambuco e extremamente ligado a tucanos da mais alta plumagem, o ex-deputado federal Bruno Rodrigues, hoje
do PSB, mas quando das práticas criminosas filiado ao PSDB e o até hoje presidente da CEASA de Pernambuco, Romero Pontual, do PSB e ex-tesoureiro de campanha do Partido Socialista Brasileiro e do ex-governador Eduardo Campos.

Da “Operação Zelador” surgiu a Operação “Farda Nova”, onde Romero Pontual é apontado pelos agentes federais como integrante de uma “verdadeira quadrilha” destinada a fraudar licitação para compra de fardamentos para alunos da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco. Já ali, chama a atenção dos agentes federais, o fato de que Pontual fora “tesoureiro da campanha” do então governador Eduardo Campos:







Nos grampos, é possível acompanhar a desenvoltura com que o ex-tesoureiro de campanha de Eduardo Campos e do PSB, juntamente com o doleiro Jordão Emerenciano, direcionavam as licitações milionárias nos mais diversos órgãos do Estado de Pernambuco, para favorecer as empresas comprometidas com o esquema de corrupção de seu grupo: fardamento, combustível, merenda, medicamentos, empreiteiras, Petrobras, influência política, instalação de empreendimentos em SUAPE, nada ficava fora do esquema do que a própria Polícia Federal chamou de "Organização Criminosa", que usava a própria sede da CEASA para reuniões de "negócios":








Em um dos relatórios a que o Blog teve acesso, fica claro que o doleiro Jordão Emerenciano era uma espécie de Alberto Youseff dos esquemas de corrupção, em Pernambuco, que não poupava nem o FUNDEPE - Fundo de Pensão dos Servidores do Estado de Pernambuco, numa espécie de conluio com o então deputado federal do PSDB, depois filiado ao PSB, Bruno Rodrigues: "aparecem indícios de que o mesmo poderia estar envolvido na prática de crimes de tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, possível pagamento de propina a políticos dentre outros crimes contra o Sistema Financeiro, e operações ilegais de câmbio e corretagem, o que, pelo menos em tese, se constatado mediante investigação policial, formaria verdadeira Organização Criminosa":



O relatório da Polícia Federal chega a comparar o esquema montado pelo doleiro Jordão Emerenciano juntamente com o ex-deputado Bruno Rodrigues com aquele arciculado pela Corretora Bônus Banval: "O esquema montado pelo DEPUTADO FEDERAL BRUNO RODRIGUES e por JORDÃO EMERENCIANO se assemelha ao esquema praticado pela BANVAL CORRETORA que se aproveita dos fundos de pensão para fazer operações(…):


A Polícia Federal flagrou, ainda, nos grampos, articulações do então vereador de Jaboatão dos Guararapes, Geraldo Cisneiros e do doleiro Jordão Emerenciano, junto  ao que chamaram de "caciques da política pernambucana ligados ao PSDB" para "aprovarem projetos e instalações de empresas no PORTO DE SUAPE":


Outro fato que chama a atenção nos grampos da “Operação Zalador” é o próprio ex-governador Eduardo Campos ser flagrado cobrando Romero Pontual sobre a licitação da Saúde, apesar de Romero Pontual ser presidente da CEASA, órgão, portanto, totalmente dissociado da área a ele cobrada pelo ex-governador. Em outra conversa interceptada entre Romero Pontual e o ex-governador Eduardo Campos, observa-se que o assunto tratado é a licitação da "Educação". Confiram:





Os grampos ainda apontam para a influência de Romero Pontual, juntamente com Jordão Emerenciano na Casa Militar, além de possível tráfico de influência do ex-deputado Bruno Rodrigues, junto ao governador de São Paulo, também do PSDB, que, na época, era o recém eleito senador José Serra:



Os grampos ainda apontam para vários contatos de Pontual com Antônio Figueira, à época presidente do IMIP, o que leva a crer que o contrato a que se referia o então governador Eduardo Campos, era a terceirização dos Hospitais e UPAS para a entidade presidida por seu futuro secretário de Saúde, que também aparece nos grampos da Operação Assepsia do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que resultou na cassação da prefeita de Natal,  Micarla, do PV.

Fonte:Blog da Noélia Brito
MAIS SOBRE O "MENSALÃO PERNAMBUCANO", OCULTADO PELA GRANDE MÍDIA LOCAL E NACIONAL, MAS JÁ NOTICIADO POR "CARTA CAPITAL" E PELO BLOG "CONVERSA AFIADA", DE PAULO HENRIQUE AMORIM.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

POLÍCIA FEDERAL ADMITE EXISTÊNCIA DO MENSALÃO PERNAMBUCANO

Numa entrevista a Rádio Folha do Recife, hoje pela manhã no programa do radialista Edvaldo Morais, o chefe de comunicação da Polícia Federal de Pernambuco, Giovani Santoro, admitiu a existência do “mensalão pernambucano”. Ele confirmou as operações desencadeadas para investigar o desvio de dinheiro público e revelou que o caso foi encaminhado à Justiça.

Giovani não citou nomes nem adiantou mais detalhes, uma vez que o caso corre em “segredo de justiça”.

Antes solenemente ignoradas pela grande imprensa do Estado, o esquema montado para fraudar licitações em Pernambuco – denunciado em primeira mão pela procuradora e blogueira Noelia Brito - foi destaque neste final de semana  no blog do Jamildo Melo, do sistema Jornal do Commercio.

Os casos com indícios de corrupção envolvem um ex-vereador de Jaboatão dos Guararapes, o doleiro Jordão Emerenciano, o bicheiro Carlos Alberto Ferreira e o presidente da Ceasa, Romero Pontual.

Todo o processo passou pela Polícia Federal e agora o desfecho depende unicamente da justiça.

Este blog foi um dos primeiro a dar atenção às denúncias e recebeu ligações de um assessor da Ceasa pedindo que retirássemos a matéria, dando a entender que a blogueira recifense não merece crédito.

Optamos por manter o post em nossos arquivos.

O esquema, chamado por Noelia Brito de “mensalão pernambucano”, também já foi noticiado na Revista “Carta Capital” e no Blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Fotos: 1) Giovani Santoro, da Polícia Federal 2) Blogueira Noelia Brito.
CORRUPÇÃO CONTINUADA INSTALOU-SE NO GOVERNO DE PERNAMBUCO, INVESTIGADA PELA POLÍCIA FEDERAL E JÁ EM PROCESSO JUDICIAL, QUE A GRANDE IMPRENSA LOCAL E NACIONAL OCULTAM.

Polícia Federal confirma a existência do “mensalão pernambucano”

Captura de Tela 2014-10-07 às 19.45.28Caso que corria em segredo de justiça foi divulgado na semana passada pelo blog da procuradora Noélia Brito e já está sendo chamado de “mensalão pernambucano”, o maior esquema de corrupção instalado no Governo de Pernambuco, na gestão do PSB. Nessa segunda-feira (13), em entrevista à rádio Jornal de Recife, o chefe de comunicação da Polícia Federal, Giovani Santoro, confirmou a existência das operações desencadeadas pela PF para investigar desvios de dinheiro público em Pernambuco e afirmou que o inquérito n° 433/2007 está em poder do Ministério Público.
Giovani não citou nomes, nem adiantou detalhes, porque o caso corre em segredo de justiça. Todo o processo foi investigado e documentado pela Polícia Federal, mas agora a punição dos acusados depende unicamente da justiça. O Ministério Público Federal divulgou nota informando que o caso está sob a responsabilidade do Ministério Público Estadual, por decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A ação penal n° 0004076-71.2010.4.05.8300 pode ser acompanhada no site da Justiça Federal em Pernambuco.
Grampos da Polícia Federal flagraram crimes como fraudes em licitações com comissões que chegavam até 35% dos valores contratados, nas diversas secretárias de PE, durante a gestão de Eduardo Campos. Os recursos desviados foram usados para financiar campanhas no Estado.
As operações “Farda Nova” e “Zelador”, deflagradas inicialmente para investigar ações do doleiro Jordão Emerenciano, acabaram descobrindo um grande esquema de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, de políticos e empresários, na gestão socialista. 
Da redação do Blog Alvinho Patriota
 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

REPERCUSSAO DA MORTE DE EDUARDO CAMPOS SOBRE DUAS CANDIDATURAS A PRESIDENCIA DA REPUBLICA

DUAS RÁPIDAS OBSERVAÇÕES SOBRE O PRESENTE MOMENTO DA CAMPANHA ELEITORAL PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Há um mês e poucos dias da data de realização do primeiro turno da eleição para a Presidência da República, tenho observado que a atropelada provocada pela trágica morte acidental do candidato Eduardo Campos, ao oportunizar a ascenção da sua companheira candidata a vice-Presidente Marina Silva à cabeça da chapa e acometer de violenta emoção o estamento urbano de classe média a ponto de trazer para aquela a intenção de voto de largas parcelas da população pelo próprio extinto candidato não conquistadas, ensejou ao menos duas possibilidades de fatos políticos relevantes que se pode afirmar eram imprevisíveis até então.
Uma dessas possibilidades é de efetivação imediata, já ocorrente e a se concretizar na data da votação no primeiro turno da eleição, qual seja a cristianização do candidato à presidência Aécio Neves, pela adesão em massa dos seus até recentes apoiadores e eleitores à candidatura da Marina Silva. Para esses, que se constituem em integrantes da classe dominante no País e seus sequazes políticos, qualquer candidatura, de qualquer agrupamento político mesmo com tinturas de social-democracia, mas que vislumbre a possibilidade de vencer nas eleições a candidatura do Partido dos Trabalhadores - não importa se é Dilma Rousseff, ou se fosse Luiz Inácio Lula da Silva ou qualquer outro - terá o seu entusiasmado e total apoio e voto. Trata-se de mais uma escaramuça da inesgotada luta de classes, pois ainda que o P.T. tenha na prática governamental se aproximado muito de setores nacionais da classe dominante, seja por estratégia política (garantir a governabilidade que lhe minizaria a possibilidade de sofrer golpes de estado - sempre desejados e projetados pelos setores mais radicais e retrógrados da direita nacional) seja por estratégia de política econômica com seus desdobramentos sociais, persiste e sobreleva o caráter indelével do partido como a maior agremiação organizada de massa representante legítima da classe trabalhadora e cujo sucesso contínuo poderá vir a proporcionar-lhe - em futuro incerto, a depender das circunstâncias históricas - a liderança efetiva da assunção ao poder dessa classe.
Assim,a candidatura de Aécio Neves tende a ser abandonada pelos seus mais expressivos representados, que passariam - como já vêm passando, paulatinamente, para a candidatura de Marina Silva, com o implemento dos maiores veículos de comunicação de massa no País, a criar a avalancha que levaria ao final à derrota eleitoral da candidatura do P.T., em um movimento que se assemelha historicamente ao que o extinto Partido Social Democrata - P.S.D. fez com Cristiano Machado, o seu candidato à Presidência da República em 1950. Como decorrência da traição ao seu próprio candidato, o P.S.D. veio a formar no governo do ex-Presidente Getúlio Vargas, o candidato beneficiado pela adesão não oficial e que se elegeu, mas que não concluiu o mandato, pois se suicidou no cargo, em 24 de agosto de 1954; uma verdadeira tragédia política que sobrestou por dez anos o golpe de estado ja então propagado pela extinta União Democrática Nacional - U.D.N. , partido político maior legítimo representante da classe dominante no Pais.
A outra possibilidade que exsurge dessa configuração pré-eleitoral atual teria o seu acontecimento mediato, caso a candidatura de Marina da Silva venha a sair vencedora final neste cotejo para a Presidência da República, pois se daria a partir do primeiro dia do seu governo. Dá-se que essa candidatura, além da adesão acelerada a ela de representantes econômicos e políticos de setores importantes das classes dominantes, conta nos seus quadros políticos mais influentes com egressos de setores um tanto à esquerda, principalmente ambientalistas que têm pensamento e ação políticas radical e explicitamente opostas aos daqueles, especialmente os do agronegócio. Para realizar a sua vitória eleitoral, é imprescindível a Marina Silva contar com o apoio e o empenho total desses opostos inconciliáveis, pois que os meios materiais necessários para o alcance desse fim quem os tem são uns e o indispensável apelo eleitoral quem os tem são os outros.
Assim, o drama da desgovernabilidade de Marina Silva começaria logo no primeiro dia do seu governo, pois a composição do seu ministério já desagradaria a uns ou a outros, ou a uns e a outros, pois as nomeacoes para o ministerio governamental indicariam, no seu conjunto ou mesmo individualmente, qual o rumo economico, social e politico que o governo adotaria, ou o rumo de cada  setor especifico do governo. Com os apoios eleitorais que a candidatura de Marina Silva mantem no presente, é de se prever um grau de dificuldade imenso - que se acerca da impossibilidade - para o que seria o seu governo obter o mínimo de entendimento com as duas casas do Congresso Nacional. Encontrar-se-ia ela no beco sem saída em que entrou o ex-Presidente Jânio da Silva Quadros que se elegeu com o apoio do alta burguesia paulista e a votação de massas populares dispersas, inclusive de parte significativa do sindicalismo atrelado ao antigo Partido Trabalhista Brasileiro - P.T.B., que tinha o apelido na época de partido dos pelegos, porque os seus integrantes a tudo acomodavam. Tanto assim foi que o vice-Presidente eleito foi João Goulart , o Jango, que fora candidato pela chapa do derrotado marechal Henrique Teixeira Lott (A regra eleitoral da epoca admitia o voto para Presidente e para vice-Presidente de chapas diversas).
Como amplamente sabido, o Ex-Presidente Jânio Quadros diante da ingovernabilidade que se instalou em face de ações suas no campo econômico de profundo liberalismo (inclusive, o seu ministro da Fazenda era um banqueiro), às quais contrapunha ações de pirotecnia politica em tentativa de agrado a setores da falsa esquerda que o apoiara também (a exemplo da condecoração de Che Guevara, no Palácio do Planalto, com a Ordem do Cruzeiro do Sul), não conseguindo o apoio congressual para os seus alegados propósitos governamentais, renunciou ao mandato com apenas sete meses do seu cumprimento. Renuncia essa que, a marcar a abertura de uma nova grave crise culminada com o golpe de estado de 1964  - alentado desde os idos de 1950 pelas classes economica e política dominantes do Pais, bem pode tambem ser caracterizada como tragédia política. 
Diante dessas duas possibilidades históricas que se abrem neste momento político brasileiro, veio-me à lembrança uma corrigenda de Karl Marx sobre uma menção de Hegel - salvo engano, constante de O Dezoito Brumário: "Numa de suas obras, Hegel observou que os grandes acontecimentos e personagens históricas se repetem, por assim dizer, duas vezes; esqueceu-se de acrescentar: a primeira como tragédia, a segunda como farsa".
Pedro Cordeiro da Silva, em 03/09/2014  

Transposição entra em 'Operação Assistida' e já capta água do rio São Francisco | Economia: Diario de Pernambuco

Transposição entra em 'Operação Assistida' e já capta água do rio São Francisco | Economia: Diario de Pernambuco

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


Educação cubana: dados que impressionam

Com escassos recursos e fortes problemas econômicos oriundos de um constante bloqueio, dados da educação cubana impressionam o mundo

educação cubana
Educação cubana é a melhor da América Latina (arquivo)
Em 2009 a Unesco apresentou um informe de seu organismo regional, a Orealc, sobre a prova LLCE (Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade do Ensino) denominado “Segundo Estudo Regional Comparativo e Explicativo na América Latina e no Caribe”, que revelou dados muito surpreendentes para alguns analistas.
Christopher Marquis do New York Times assinalou: “os estudantes cubanos, em todas as matérias examinadas, obtiveram qualificações muito superiores à media, de maneira consistente, em todas as escolas”.
O estudo concluiu que “os alunos cubanos quase duplicam os resultados dos alunos que mais se aproximam deles”. O jornalista nova-iorquino apontou que os resultados “foram tão dramaticamente superiores que os pesquisadores da Unesco regressaram a Cuba e examinaram de novo os estudantes, obtendo os mesmos resultados de novo”. Jeff Puryear co-diretor da Associação para a Revitalização Educativa das Américas também se surpreendeu: “mesmo os resultados mais baixos dos cubanos alcançaram um índice superior à média da região, e aplicando nossos próprios padrões!”

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Seguramente isso se deve a um milagre, pois Cuba é evidentemente um país com escassos recursos e fortes problemas econômicos, devido ao constante bloqueio e dificuldades diversas. Ninguém poderia comparar com a capacidade econômica do México, do Brasil, da Argentina e inclusive do Chile e, no entanto, é inegável que a educação em Cuba supera notavelmente mesmo a das potências da região. Cuba teve 70% dos seus estudantes com qualificações de mais 350 pontos de um total de 500, enquanto a média na Argentina, no Uruguai e No Chile foi de 300 pontos. Brasil e México acusaram uma média instável de aproximadamente 250 pontos. Só um milagre da deusa Iemanjá poderia explicar esses resultados.
O milagre teve início em 1959 quando a revolução triunfante dedicou-se a realizar todo tipo de projetos, cada um mais criativo e significativo. O mais conhecido, o da alfabetização, conseguiu em um ano declarar Cuba como o primeiro território livre de analfabetismo na América Latina. Menos conhecidos são os programas para mulheres camponesas, trabalhadoras, prostitutas; para crianças camponesas, órfãs ou “marginais”; para formar contingentes de professores, e poderíamos acrescentar um longo etcetera… Desde aqueles anos, o primeiro mandato foi levar todos os recursos disponíveis para as regiões devastadas pela pobreza no campo e na cidade. Este simples princípio marca uma enorme diferença com nosso próprio sistema no qual se impôs implacavelmente a máxima neoliberal de dar mais ao melhor “rankeado”, de investir somente naquilo que dá lucro, e assim persistem escolinhas abandonadas em que convivem crianças de várias séries (são 43% das 280.000 existentes), sem materiais, sem recursos, com “professores” que são rapazes treinados pelo CONAFE durante dois meses e enviados com um salário miserável.
A desigualdade educativa se reproduz assim de maneira estrutural, não é preciso um censo para saber o que já sabemos faz tempo. Sem mencionar o estado desastroso da maioria das escolas, sustentadas pelos pais de família com suas “contribuições voluntárias” e os raquíticos salários dos professores mesmo com o estímulo da carreira de magistério.
O milagre é que Cuba investe em educação 12.9% do PIB, no bojo de um investimento social de 30%. O México, a duras penas, destina 5% para a educação com altos e baixos pronunciados. Islândia e os países nórdicos se aproximam de 8%. Em janeiro de 1959, Cuba tinha 3 universidades públicas com 15.000 alunos e mil professores, e hoje conta com 67 instituições de altos estudos com 261.000 matriculados e 77 mil professores; 35.000 bolsistas latino-americanos passaram por suas classes, além de um novo programa de municipalização da educação superior que já construiu mais de 300 sedes universitárias municipais. Na verdade, Cuba é toda uma grande escola.
O estado é o responsável integral da educação, como na Finlândia e na França. Há uma grande valorização social da profissão docente em todos os seus níveis e os salários dos professores equivalem aos de outros profissionais como médicos e físicos. As Universidades Pedagógicas têm um alto grau de formação e de exigência. Nunca há mais de 18 crianças por sala e o tempo dedicado a cada criança pra elaborar e problematizar respostas individuais duplica o da região.
Estes são alguns dos fatores recolhidos por Martin Carnoy, professor da Universidade Stanford, em seu excelente livro La ventaja académica de Cuba, ¿Por qué los estudiantes cubanos rinden más?. Não necessitamos acudir a modelos tão distantes como Finlândia ou qualquer outro país altamente desenvolvido; a explicação está aqui mesmo, muito perto, e não se trata de um milagre educativo, mas sim de una política congruente com a dignidade de todo ser humano.
Tatiana Col, Diálogos do Sul